Wednesday, January 25, 2006

A mulher

Quero uma mulher de olhos pequenos
Que chegue antes e saia depois
Que me queira tanto mais
Que me aceite sempre
Parceira e amante
A cada passo olhar para o lado e vê-la
Não quero mais a noite por companheira

Tuesday, January 24, 2006

SEM EXPLICAÇÃO

Nenhuma dor como essa
Sinto como se a vida fosse inversa
Encotrar o fim da esperança
De viver o que foi em sua presença

ABDICAÇÃO

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.

Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.

Fernando Pessoa, 1913

Sunday, January 22, 2006

Tinha um americano no meio do caminho. No meio do caminho tinha um americano.

Dois rapazes andam por uma rua de São Paulo quando um homem de roupas modestas e chinelo menor que o pé os aborda. Do you speak english? E eu a partir daqui traduzirei direto a conversa mas ela foi travada em inglês.
- Eu respondi sim, falo.
- Meu nome é George Farwell, eu sou americano e estou a duas semanas no Brasil.
- Em que nós podemos ajudar?
- Eu vim pra FNAC, a loja de livros, hoje no fil da tarde e quando fui sair fui assaltado, dois garotos com armas na minha cabeça levaram tudo o que eu tinha, inclusive meus sapatos. Eu fui à policia fiz um B.O. e eles disseram que não poderiam me levar em casa.
- Não tem o que nós possamos fazer por você.
- Eu sou professor no Graded School, e se vocês pudessem me dar um dinheiro para ir pra minha casa eu pago vocês na segunda.
- Mas nós não temos dinheiro George. Desejamos a você sorte.
(estou suprimindo parte da conversa mas ela tinha vários detalhes, que nos fizeram acreditar naquele homem que falava inglês perfeito)
Fomos embora, dois quarteirões depois do acontecido pesou nossa consciência, deixar um homem naquela situação, era uma facada no nosso espírito. Meu amigo disse.
- Eu dou um cheque para o taxista e mandamos levar esse americano em casa.
Saímos correndo atrás do americano, achamos ele e levamos até um taxi demos o endereço e o cheque para o taxista e depois de agradecer muito George deixou o email e o telefone da escola onde dava aula.
É domingo e alguma coisa parece estar errada. Mandei um email e voltou, tinha escrito errado o email deixado por george, que alívio. Digitei o certo e o outro email voltou. Comecei a disconfiar. Liguei no telefone que George deixou e o tel não existe. Pensei, fodeu tudo. Liguei no telefone da escola onde ele disse que dava aula. O cara que atendeu disse.
- Esse homem, dá esse golpe em várias pessoas e ela ligam aqui. Esse homem não é professor daqui e pelo que sabemos estava preso até a semana passada. O nome dele é João Carlos Menezes Faganielo. Se soubermos que ele foi preso de novo damos um jeito de avisar você.
Automaticamente, pensamos nossa o cheque, meu amigo correu para o telefone pra sustar o cheque. Ligamos para o taxista e o cheque sustado esta com ele, ufa! Somos vítimas de estelionato, e de uma maneira muito particular sofri meu primeiro assalto em São Paulo. e a confiança que ainda tinha no ser humano acabou ali.

Queria poder dizer que você acabou de ler uma idéia minha pra um roteiro de cinema ou coisa que o valha, mas aconteceu comigo, Yuri Gonçalves Scocuglia e com um grande amigo meu Adhair Ricci Neto, na noite de 21 de janeiro de 2006.

Friday, January 20, 2006

Sem Título - e precisa?

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa, 14-6-1932

Wednesday, January 18, 2006

Vision of Division - The Strokes

Sing me a song
You could be
Tell me a tale
Just like me
Don't turn it my way
Happy and free
I'll turn it to shit
Happy and free...

All that I do, is wait for you
All that I do, is wait for you

I can't get along, with all your friends
I Don't know how to act,
That's all there is.
Why do I accept the things you say?
You know what to change,
But not in what way.

How long must I wait?

I am not you
We could have
I'm almost through
Great sucess
It's about time
Such a success
That you came through
At no expense

All that I do, is wait for you
All that I do, is wait for you

I can't get away from all your friends
I'm not coming back,
That's all there is.
Why do I accept the things you say?
You know what to change,
But not in what way.

How long must I wait?

Wednesday, January 11, 2006

Onde eu bato meu cartão?

Ser criado para ser um homem responsável não é tão bom assim. Em 1996 eu estava no caminho de terminar o segundo grau e tentar um concurso público ou qualquer coisa parecida. Minha vida começou a mudar o dia que eu abri por curiosidade o caderno da vunesp e vi o curso de radialismo na unesp de Bauru. Cara, você pode estudar para trabalhar com televisão? Entrei por esse caminho. Assiti o "Sobre meninos e lobos", e nesse sensacional filme uma pergunta de repente aparece, e se eu não tivesse entrado naquele carro? O personagem de Sean Penn pensa. E se eu tivesse decidido pela vida que fui criado para ter? Toda vez que estou numa situação difícil como hoje em dia, penso. E se eu não tivesse ido para faculdade? O último que sair apaga a luz da sala de aula.

Thursday, January 05, 2006

Ansiedade, ansiedade, ansiedade...

Meu peito dói. Não é uma dor metafórica, um aperto enorme, constante e sem solução aparente. Numa cidade de 200 mil habitantes me sinto enclausurado, não tenho para onde ir, o medo de ficar para sempre aqui ou ser obrigado a voltar me corrói. O que fazer, tenho e não tenho dinheiro, tenho e não tenho trabalho. Nunca tive nada de valor na vida, a primeira coisa que consegui foi essa ferramenta que uso agora para escrever. Hoje senti de novo a vontade de não estar vivo e ter que enfrentar o que vem pela frente. Quanto desepero. Não quero estar assim, racionalmente acho que não preciso estar assim. Muito medo de perder meu brinquedo preferido. Saudade daquela única que conseguia me acalmar, a única capaz de me fazer acreditar que tudo ficara bem. Será que dessa vez estou completamente sozinho?